A amante de Tiradentes


Considerando a grandeza humana de Tiradentes que traz o livro de Eduardo Bueno, vale a pena lembrar um aspecto inusitado da vida do personagem, que vem à tona num esquecido livro de crônicas do autor de “A Moreninha”, Joaquim Manuel de Macedo, intitulado “Memórias da Rua do Ouvidor”, cuja primeira edição data de 1878. Nele, Macedo resgata histórias da célebre rua do centro do Rio de Janeiro, consagradas pela tradição oral de seu tempo.  
Há um breve capítulo sobre uma mulher que se tornou conhecida pelo nome de Perpétua Mineira, que se estabeleceu como costureira, na rua em questão, em 1784, vinda da província de Minas Gerais. Pouco depois, abriu também uma “sala de pasto” ou restaurante de cozinha típica mineira – o primeiro da capital fluminense e provavelmente fora de Minas em todo o Brasil.

Em sua estadia no Rio de Janeiro, no ano de 1787, o Tiradentes teria ido matar as saudades da culinária de sua terra natal no restaurante de Perpétua, com quem acabou divindo mais do que a mesa... Segundo Macedo, consta que os dois se tornaram amantes, permanecendo unidos por alguns meses até que Tiradentes voltasse para Vila Rica. Em 1792, Perpétua teria acompanhado, em desespero, o calvário do ex-amante, tendo depois fechado o estabelecimento e desaparecido da cidade.  

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